Filme – A.I. - Inteligência Artificial (A.I. Artificial Intelligence, 2001)

. .
Os robôs também podem amar?

"A.I. - Inteligência Artificial" se passa em 2141. A Terra vive um estado pós-apocalíptico em que as calotas glaciais se derreteram e inundaram boa parte da área seca. A natureza sofreu muito com isso e a tecnologia teve que evoluir para que seres humanos continuassem existindo. Uma equipe de cientistas de uma empresa chamada Cybertronics cria um robô em forma de criança por eles batizado de David (interpretado por Haley Joel Osment) , programado para amar seus pais eternamente.

A.I. - Inteligência Artificial (A.I. Artificial Intelligence, 2001)

Na iminência de perder o único filho, doente e em estado vegetativo, o casal Henry e Monica Swinton (interpretados por Sam Robards e Frances O'Connor, respectivamente) adota o primeiro desses androides. Após a resistência inicial, a mãe dá os comandos que dotarão o robô de sentimentos, que farão com que este reconheça Monica como sua mãe e ame-a para sempre. David tentava imitar seus pais e agir de forma humana, mas muitas vezes se sentia sozinho. Por isso, Monica o apresentou a Teddy, um ursinho super brinquedo, que se torna seu amigo e companheiro. O filho verdadeiro logo recupera-se e, num acidente do qual David não teve culpa, este é acusado de ser uma ameaça. Ao ouvir a sua “mãe” contar a história do Pinóquio ele fica fascinado com o fato de poder ser de verdade e poder fazer parte da família. Então ele lembra da história e sai em busca da Fada Azul, depois de ter sido abandonado pela família. Uma cena memorável: A “mãe” abandonando David na floresta é de partir o coração.

A.I. - Inteligência Artificial (A.I. Artificial Intelligence, 2001)

É a partir do conto de Pinóquio, do italiano Carlo Collodi, que chega a ser um fio condutor para o roteiro. De uma maneira crua, David deseja ser exatamente o que seu “irmão” é: um ser humano. Ele acredita que isso fará com que sua mãe o ame e parte em uma jornada atrás de sua própria fada azul. Durante sua busca, ele acaba por fazer uma viagem ao ser humano. Acompanhamos a partir de então, uma análise de nós mesmos, um retrato da humanidade. A busca de David pela Fada Azul é apresentada com uma ingenuidade que ultrapassa a barreira do termo “infantil”. David enfrenta monstros (os caçadores de Mecas defeituosos), lugares hostis (o Mercado de Peles) e encontra uma companhia para sua jornada, o carismático Gigolô Joe (interpretado por Jude Law). 

A.I. - Inteligência Artificial (A.I. Artificial Intelligence, 2001)
O filme foi lançado em 2001 e foi dirigido por um dos diretores mais premiados de Hollywood: Steven Spielberg, a partir de um projeto do consagrado diretor Stanley Kubrick (1928-1999), sobre a possibilidade da criação de máquinas com sentimentos. O roteiro criado por Spielberg foi baseado em um conto de Brian Aldiss chamado Supertoys Last All Summer Long.

O filme nos leva a reflexão, mostrando claramente a vontade da máquina de se tornar ser humano, de querer se manifestar, poder ter e sentir tudo o que os humanos têm e sentem. Além da ambiguidade de uma humanidade cada vez mais distante entre si, porém, cada vez mais conectada surge junto com a reflexão sobre a nossa carência e solidão – aqui representadas pelo robô-amante Gigolô Joe. Os medos e as dúvidas – principalmente a velha questão do “de onde viemos?” – também aparecem. Os robôs foram criados pelos mais diversos motivos, mas sempre com o intuito de suprir uma necessidade nossa, seja ela operacional, física ou emocional. Inteligência Artificial é um filme que dá vontade de ver novamente, assim que se acaba de vê-lo pela primeira vez. Recomendo!

Encerro o post com uma frase do filme:

O maior dom humano é a habilidade de buscar os nossos sonhos.

Professor Allen Hobby

Filme – Os Anjos Entram em Campo (Angels in the Outfield, 1994)

. .
Eles fazem você acreditar!

Que torcedor nunca pediu, pelo menos uma vez, alguma força divina para ajudar seu time a ser campeão ou ganhar um jogo importante da temporada? Quem nunca rezou para que algum santo iluminasse uma certa equipe? Em dia de decisão, independe de clube e de modalidade esportiva, o que mais se vê na transmissão televisiva são pessoas com dedos cruzados, rezando, fazendo qualquer tipo de ritual de fé.

Este tipo de coisa só enriquece a tensão do jogo e a paixão que se tem pelo time. Não quero julgar se isso é certo ou errado, mas o fato que isso está bem presente no universo esportivo. Não querendo alongar essa discussão, imaginem o que aconteceria se algum santo, ou melhor, um anjo escutasse as inúmeras preces dos torcedores e descesse para a Terra para ajudar determinado time.

Os Anjos Entram em Campo (Angels in the Outfield, 1994)

Com direção de William Dear e lançado em 1994 pelos estúdios Disney. O filme Os Anjos Entram em Campo (Angels in the Outfield, no original) conta a história de Roger (interpretado por Joseph Gordon-Levitt), um garoto adotado, que tem pouquíssimo contato com seu pai biológico. Ao questioná-lo sobre quando serão uma família novamente, o menino ouve que será “quando os Angels vencerem o campeonato”. Levando as palavras do pai a sério, o jovem ora a Deus para que o time da Califórnia (hoje conhecido como Los Angeles Angels) conquiste o torneio. Mas a situação é complicada, pois os Angels vem acumulando muitas derrotas.

Os Anjos Entram em Campo (Angels in the Outfield, 1994)
Graças às orações do garotinho, um anjo atrapalhado, só visto por Roger, vem ajudar o time decadente. Ao lado de seu amigo J.P. (interpretado por Milton Davis Jr.), Roger vai assistir ao duelo da equipe dos Angels contra o Toronto Blue Jays, e começa a ver um grupo de anjos, liderados por Al (interpretado por Christopher Lloyd), ajudar a equipe da Califórnia a vencer a partida. De todos os presentes no estádio, apenas o menino consegue enxergá-los, e passa a ser considerado um amuleto de boa sorte pelo técnico da equipe George Knox (interpretado por Danny Glover), que começa a ver seu time vencendo inexplicavelmente os jogos.

Bons sentimentos neste remake de um filme de mesmo nome lançado em 1951 e dirigido por Clarence Brown. Assisti ao filme primeiramente no SBT quando era criança, foi numa madrugada que eu acabei acordando, ligando a TV e sintonizando no canal. Depois tive a oportunidade de assistir novamente ao filme no Telecine há um tempo. É uma fantasia infantil que da pra relaxar no sofá assistindo tranquilamente, é possível se identificar facilmente com Os Anjos Entram em Campo, pois mostra de forma bem divertida a fé que os torcedores carregam de seus times. É diversão garantida para quem ama cinema e esporte. Sem falar que o filme traz o assunto adoção. Roger acaba sendo abandonado pelo seu pai. Mas no fim encontra uma nova família. Ótimo filme. Recomendo!

Filme – O Anjo Malvado (The Good Son, 1993)

. .
A maldade tem muitas faces

Mark Evans é um garoto que vai morar com parentes quando perde a mãe. Lá ele descobre que Henry Evans, seu primo, tem uma índole extremamente má e até mesmo homicida. Mas como fazer os adultos acreditarem que uma criança possa ter uma índole tão perversa?

O Anjo Malvado (The Good Son, 1993)

Lançado em 1993, com direção de Joseph Ruben e roteiro de Ian McEwanO Anjo Malvado (The Good Son, no original) tem seu inicio de uma forma dramática. Mark (interpretado por Elijah Wood) presencia sua mãe falecer e seu pai, pra fazer uma viagem de negócios, resolve mandá-lo pra casa de um tio por 3 semanas. Lá ele conhece Henry (interpretado por Macaulay Culkin), que parece um menino normal como todos da sua idade. Mas no decorrer da trama, ele vai se mostrando um garoto com um senso de humor maléfico e sem um pingo de escrúpulos.

Mark percebe sua verdadeira face e tenta alertar a família. Em vão. Com esses surtos de alerta, a família acaba enxergando ele como um “garoto difícil que acabou de perder a mãe e está confuso”. E Henry, como um bom psicopata que é, se aproveita disso tudo pra continuar “reinando” por aí. Como se o que ele fizesse realmente se restringisse a isso. Ele se faz de inofensivo, sob o ar de “só queria ajudar, vamos compreender que Mark é só um garoto perturbado e que precisa de ajuda”. 

Mark acaba enxergando na tia (mãe de Henry) feições maternas e a partir daí Henry não esconde mais a sua verdadeira face. As cenas se desenrolam com uma naturalidade espantosa. Ele tenta matar a irmã Connie lançando-a no gelo fino da patinação. E ainda tem uma incógnita a ser desvendada. Sobre a morte do irmão pequeno, Richard. A verdade vai aparecendo e Henry se sente acuado pelas desconfianças. Aí que ele planeja matar a própria mãe (que, de acordo com ele agora, é a mãe de Mark – então, que diferença faz se ela morrer, não é mesmo?) Enfim, só mais quatro palavras: a cena do penhasco.

O Anjo Malvado (The Good Son, 1993)

O desfecho do filme é sensacional, colocando em cheque valores, escolhas, sentimentos e situações que envolvem muito mais que a ficção, mas que fazem indagar a nós mesmo o que faríamos na mesma situação. é É um filme que vai direto ao ponto, sem enrolação.(menos de 1h30 de duração), O Anjo Malvado é uma obra espetacular, que merece atenção, análise, e quanta reflexão for possível. É daqueles filmes que retratam a realidade que recusamos a acreditar que existe, e que sempre existirá, e isso é o que faz dele, mais de duas décadas, parecer ainda tão atual.

O Anjo Malvado (The Good Son, 1993)
O que me impressiona nesses longas mais antigos é a capacidade que a produção tinha em dar veracidade a algumas cenas. Hoje temos muita tecnologia, CGI reina absoluta nos filmes. Fico imaginando a mão de obra que deu, por exemplo, aquela sequência no penhasco.

[spoiler] Na cena final, Mark retorna ao Arizona, ele reflete sobre a escolha de Susan para salvá-lo em vez de Henry e se pergunta se ela faria a mesma escolha novamente, mas sabe que é algo que ele nunca vai perguntar a ela [/spoiler]

Enfim, analisar a mente de um psicopata foi uma tarefa fácil para o diretor, pois conseguiu extrair com beleza e autenticidade do anjo malvado que existia por trás do rosto lindo. O roteiro é muito bom e as cenas são incríveis, locações lindas. Todo o ambiente em que se passa o filme conseguem mexer com os sentimentos. O elenco em um todo é sensacional e desempenha seus papeis com louvor. Elijah Wood já mostrava o poder que suas interpretações tinham e na pele do filho bom, surpreende! O Macaulay Culkin pequeno, dispensa comentários pois foi muito bom. Recomendo!

Filme – Os Goonies (The Goonies, 1985)

. .
Quando você é criança, tudo é possível.

Um conjunto de prédios será demolido. Os garotos que moram lá organizam uma festa de despedida e acabam achando um mapa de tesouro. Entusiasmados, eles começam a busca. Mas Mama Fratelli, matriarca de uma família de criminosos, também está interessada na descoberta. 

Dirigido por Richard Donner em 1985, além de ter contado com Steven Spielberg e Chris Columbus, como roteiristas. É sem dúvidas um dos grandes clássicos dos anos 1980. Tenho o DVD do filme na minha coleção pessoal e gosto muito.

Os Goonies (The Goonies, 1985)

The Goonies começa começa com uma fuga desesperada da família Fratelli da polícia, após resgatar um dos filhos que estava preso na delegacia local. Durante essa introdução podemos conhecer os personagens que mergulharão na história, o grupo de garotos que se autodenominam Os Goonies. A cidade onde moram está prestes a ser demolida como quitação de uma dívida com uma empresa que pretende construir um campo de golfe no lugar das moradias.

Mas quem são os Goonies? Os Goonies são uma turminha de amigos de uma pequena cidade. Mike é o menino espertinho, idealista, com mania de trocar as palavras. Brand é o irmão mais velho, que no começo parece mandão e meio chato, mas acaba virando criança de novo quando se envolve com a aventura. Entre os amigos, Dado (do inglês “Data”), um chinesinho com invenções mirabolantes; Bolão, o gordinho da turma: histérico, sempre faminto e divertido; e Bocão, menino com uma pinta de convencido, que não para de falar. E as meninas, que se envolvem na história meio por acaso: Andy, namoradinha do Brand a e Stef, a menina feinha e mal humorada – mas que vai melhorando ao longo do filme. 

Em uma tarde melancólica de despedida dos garotos, eles acham no porão da casa do protagonista Mikey (interpretado por Sean Astin, mais conhecido como o Sam de O Senhor dos Anéis) um mapa que supostamente levaria a um tesouro escondido. Sem nada a perder, os garotos começam uma aventura em busca da única esperança de manterem seus tetos e impedirem a separação do grupo. Só que um dos pontos de partida de tudo é uma casa à beira da colina onde os Fratelli estão foragidos, o que os coloca na história. Além de todos os perigos armados por Willy Caolho, o suposto dono do navio pirata onde sonham haver o dinheiro que procuram, também têm que fazer diversas artimanhas para não serem pegos pelos vilões da história.

The Goonies
Abordando temas marcantes da adolescência durante a empolgante jornada, consegue prender a atenção do espectador, que se identifica com diversas situações vividas por aquele grupo de jovens e realmente torce pelo sucesso deles. Por isso, pode-se dizer que “Os Goonies” é uma aventura acima da média, que consegue entreter espectadores de todas as idades de maneira bastante original. Não há como ouvir o nome dos personagens e não se lembrar das trapalhadas durante a aventura, como o Gordo (traduzido às vezes como Chunk) e seu jeito atrapalhado de ser, Bocão e o seu espanhol assustador, Data e suas invenções mirabolantes, as cenas de amor entre Brand e Andy, a solitária no meio dos meninos Stef e o inesquecível monstro Sloth, que contava com uma excelente maquiagem.

Além de ter uma história excelente, personagens cativantes e todo um espírito único de aventura infantil, é um filme que marcou a infância de muitas pessoas e passa de geração em geração. Eu por exemplo, não nasci na época de lançamento do filme, fui nascer só 10 anos depois e cresci assistindo ao filme, sem dúvidas me cativou. Talvez com filmes assim é que aprendemos os verdadeiros valores de amizade, lealdade, companheirismo e valentia. E não somente isso: filmes que ficarão eternizados em nossa memória, para que possamos ao menos contar aos nossos filhos e netos aventuras que vivemos em nossa imaginação. Não há nada mais cativante que uma boa filmagem para que nossa criatividade se revele e tome conta de nós, e para que ao nos vermos encostados na parede com crianças pedindo histórias, possamos criar as nossas próprias. Recomendo!

Filme – O Garoto Que Podia Voar (The Boy Who Could Fly, 1986)

. .
Quando você deseja uma coisa de coração, ela pode virar realidade

Depois da morte do pai, Milly se muda com a mãe e o irmão para um novo bairro onde conhece Eric, um jovem solitário que só pensa em voar. Aos poucos Milly vai descobrindo que Eric não é um garoto como os outros. 

Assisti ''O Garoto que Podia Voar'' (The Boy Who Could Fly, no original)  na antiga sessão de filmes do SBT, o Cinema em Casa lá por 2009, se não me engano. Lembro que gostei bastante, tanto é que anos depois adquiri o dvd do filme. 

Jay Underwood e Lucy Deakins, interpretam Eric e Milly, respectivamente

Amável adolescente Milly (interpretada por Lucy Deakins) muda-se com a família uma nova casa. Milly está na adolescência, o irmão Louis está na infância e a mãe tem de se adaptar a um novo emprego. Para os três, é uma oportunidade de tentarem superar a morte do pai. 

As coisas vão correndo de forma lenta., Milly conhece um rapaz, seu vizinho, um adolescente autista que mora ao lado, chamado Eric Gibb (interpretado por Jay Underwood). O Eric mudo, cujos pais foram mortos quando ele tinha 5 anos de idade, vive com seu tio Hugo (interpretado por Fred Gwynne), que é alcoólatra. Sua tendência para ficar em telhados e parapeito das janelas como se estivesse voando, alarma seus assistentes sociais, mas quando Eric salva Milly de uma queda potencialmente mortal, ela começa a acreditar que o garoto realmente pode voar. Milly desenvolve um carinho muito especial por Eric e procura ajudá-lo. Tal relação será um estímulo para todos conseguirem superar os seus medos e traumas.

Jay Underwood interpreta Eric Gibbs
Com direção de Nick Castle e lançado em 1986. O filme traz uma abordagem metafórica sobre que as realizações dos nossos sonhos depende da nossa força de vontade e do quanto você acredita e insiste neles , além disso o longa também demonstra a importância do companheirismo.

Gostei muito do desenvolvimento dos personagens e de toda essa a abordagem, o que deixa o filme ainda melhor. É uma fantasia juvenil, trazendo temas muito sérios, como os traumas que emperram ma mente infantil. Mas tudo melhora quando, na escola, o menino consegue se abrir para a bela jovem, com quem faz amizade. Tudo de uma forma alusiva e emocionante que a mensagem é transmitida, enriquecendo mais ainda o filme .

Dadas as características narrativas e emocionais, o filme consegue momentos de uma arrebatadora ternura (os cuidados de Milly face a Eric), de inocente sentimentalismo (o primeiro beijo) e de magia (o “momento da verdade”, sobre se Eric voa ou não). Além de uma trilha sonora muito bem produzida, a ótima canção de Bruce Broughton (um dos grandes compositores cinematográficos dos 80s e 90s). As atuações também são ótimas, Uma esplêndida (e linda) Lucy Deakins explora toda a dimensão emocional da sua personagem. Jay Underwood usa bem o seu rosto para transmitir emoções. 

Cena do filme ''O Garoto que Podia Voar''
O filme acabou virando um cult dos anos 80, pela maneira emocionada e sem pieguice com que retrata a amizade entre do menino silencioso e a garota bonita. Uma cena memorável é a cena do hospital, onde Eric aparece para Milly e os dois ''voam'' pela cidade. Resta ao espectador embarcar na história. Um belíssimo filme, de grande pureza e inocência. Uma pequena pérola. Muito recomendável.

Uma curiosidade sobre o filme é que a banda Thrice lançou uma música baseada no filme, intitulada "A Song For Milly Michaelson" em seu LP de 2007 The Alchemy Index Vols. III e IV . O mesmo aconteceu com os Vandals, no álbum Hitler Bad, Vandals Good.

Filme – Com as Próprias Mãos (Walking Tall, 2004)

. .
Quando um membro formal da Força Especial da Marinha dos EUA volta à sua cidade natal na zona rural de Washington com o desejo de trabalhar lá, descobre que muitas coisas mudaram: a tranquila e silenciosa cidade de antes foi invadida pela corrupção e pelo crime, agora cheia de drogas e ataques violentos, além do constante sentimento de terror e maldade. Muitos culpam o cassino onde agora trabalha como bailarina sua ex-namorada. Buscando vingança, com integridade em seu coração, o soldado altamente treinado, agora xerife do condado, e seu adjunto, percebem que é hora de cortar algumas cabeças para devolver à sua gente o lugar que merecem para viver em tranquilidade.

Protagonizado por Dwayne ‘The Rock’ Johnson, 'Com as Próprias Mãos' foi um dos filmes que mais assisti na vida (hahahaha), meu irmão curtia muito e eu acabava assistindo junto. Se eu fizesse uma lista de filmes que assisti inumeras vezes com certeza esse aqui estaria na lista.

Com as Próprias Mãos (Walking Tall, 2004)


Com direção de Kevin Bray e lançado em 2004, 'Com as Próprias Mãos (Walking Tall, no original) é uma modesta refilmagem de uma produção de 1973 baseado na história real do xerife Buford Pusser que numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, entre 1964 e 1970 conseguira impor a lei a ordem ficando famoso ao utilizar um bastão de madeira com o qual batia em criminosos quando os confrontava.

Apesar da inspiração e homenagem ao xerife Pusser, o personagem de Johnson tem o nome alterado para Chris Vaughn, um jovem militar veterano que acaba de deixar o exército para voltar a viver em sua pequena cidade natal ao lado de sua família e amigos de infância. Além de voltar a viver com seus pais, Chris quer trabalhar como marceneiro, seu antigo ofício antes de servir as forças armadas. Ao reencontrar sua família e e velhos amigos, Chris sente-se verdadeiramente de volta ao lar.

Entretanto a paz e a calmaria que ele volta a encontrar em sua pequena cidade não vão durar muito, pois em pouco tempo ele descobre que Jay Hamilton (interpretado por Neal McDonough), um dos amigos ou colega de infância, comanda negócios ilícitos em um cassino local do qual é proprietário. Ao participar de uma jogada no cassino, Chris descobre existe fraude nos jogos, arranja uma briga com os seguranças do local e é expulso e espancado quase até a morte. Felizmente Chris sobrevive e após sair do hospital, resolve entrar na justiça contra Hamilton que apesar de tentar, não consegue suborná-lo à não fazer isso.

A partir da pequena sinopse do parágrafo àcima não é dificil deduzir que logo mais adiante haverá um jogo de perseguição entre ambos, pois Chris Vaughn fará de tudo para descobrir todas as atividades ilícitas que Hamilton comanda na cidade, sendo que após vencer causa no tribunal, candidatou-se à xerife e venceu tal eleição, o que infelizmente não é mostrado na narrativa e isso é uma pena, mesmo para um filme de ação feito para divertir.

Como mencionado, a história do filme foi baseada na vida do xerife do Tennessee Buford Pusser. Esse fato já tinha chegado aos cinemas em 1973. A primeira versão chamou-se Fibra de valente (Walking Tall) e foi estrelada por Joe Don Baker. O sucesso foi tão grande, que gerou duas seqüências: Fibra de valente II (1975) e Fibra de valente: o capítulo final (1977). Em ambas as continuações o ator Bob Svenson interpretou o famoso xerife. Buford Pusser era um típico branco morador de uma cidade do sul dos Estados Unidos. Essa região americana sofre até hoje pelo racismo e maioria dos seus habitantes possuem armas e costumam ser muito agressivas. Buford conseguiu eleger-se xerife e sua notoriedade veio do uso de um cedro em forma de bastão para manter a lei na cidade. Parece inusitado, mas era a forma sulista de combater a violência que imperava.

Com as Próprias Mãos (Walking Tall, 2004)

Uma cena memorável de Walking Tall é quando Chris invade o cassino furioso e derruba um a um todos os seguranças, além de fazer um belo estrago no local. O confronto final de Chris com Jay Hamilton  é também um dos pontos altos da aventura, pois os atores conseguiram fazer uma das melhores cenas de luta que já vi - afinal, o cinema de ação moderno já está muito impregnado de efeitos digitais, algo que não se vê nessa produção que por sinal cuja ação foi filmada em estilo "old school", ou seja, de modo mais bruto, como nos velhos tempos.

Um atrativo a mais além da ótima ação são boas as tiradas de humor por conta da presença de Johnny Knoxville (de JackAss) no papel de Ray Templeton um dos amigos de infância de Chris e que se torna seu assistente no combate ao crime, o alivio cômico do filme. Walking Tall é uma expressão em inglês que traduzida literalmente significa "caminhando alto", e em português é equivalente à "andar de cabeça erguida" - algo que define muito bem pessoas corajosas e determinadas e nessa aventura The Rock se revelou um xerife mais que eficiente pavimentando sua carreira ao estrelato em que vive agora. Recomendo!